• rogeriomaestri

    Há algumas considerações que devem ser feitas, a primeira é que as eólicas estão contando para a sua diminuição de custo com usinas hidrelétricas já instaladas. Isto é uma forma completamente fantasiosa de determinar o custo da energia gerada pelas mesmas, pois quanto maior for a sua capacidade e participação na geração, menor será a disponibilidade de “usinas em reserva” para as mesmas.

    Chamo a atenção que por imposições ambientais, cada vez mais estamos implantando usinas hidrelétricas a fio d’água, ficando o sistema vulnerável a períodos de estiagem que coincidiram com baixa capacidade de geração eólica.

    Outra coisa que esquecemos é que o uso do fator de capacidade não é totalmente correto para um sistema eólico, deveríamos introduzir um “fator de conveniência”, ou seja, um fator que expressasse a geração nas horas que há realmente necessidade.

    A energia eólica ainda é uma geração marginal, e a medida que ela for se expandindo novos problemas surgirão. Por exemplo, hoje em dia o grande problema na Alemanha detalhado pela agência de regulação alemã (relatório de geração 2010-2011) são as linhas de transmissão que para o uso efetivo das eólicas deverão ser dimensionadas para os picos e não para a base.

    Há outro problema que não está sendo levado em conta, os locais em que foram colocados estes primeiros parques eólicos, como no Rio Grande do Sul, é o verdadeiro “filé” da geração eólica, em Osório, por exemplo, é uma região tradicionalmente conhecida (antes mesmo da geração eólica) como uma região de ventos constantes, porém pode-se considerar como uma região de meso-escala, não se reproduzindo muito mais ao norte do estado do Rio Grande do Sul. Há mais ao sul regiões com mesmas características, porém nestas regiões será necessário a construção de linhas de transmissão que não existem.

    Quanto as linhas de transmissão, não tenho informações quantitativas para verificar a que ponto nos parques eólicos até agora implantados e nos parques eólicos futuros, quais são os impactos em questão de custo a transmissão desta energia.

    Acho que antes de tecermos loas a geração eólica, dois problemas devem ser estudados, o backup disponível e os custos na transmissão, pois poderemos ter surpresas nestes dois limitantes.