Por Pietro Erber* - Tem sido notável o aumento do interesse de fabricantes, autoridades governamentais e possíveis usuários, pelosveículos elétricos. Entretanto, até mesmo pessoas favoráveis à sua utilização eventualmente apresentam preocupações equivocadas que tendem a restringir a aplicação e prejudicar a difusão dessa tecnologia.
Diferenciar o carregamento das baterias em relação ao atendimento de outras cargas, utilizando somente energia proveniente de fontes renováveis, ou admitir hipóteses absurdas sobre o impacto dos veículos elétricos sobre os sistemas de suprimento elétrico tem sido frequentes.
O interesse pelo acionamento elétrico dos veículos decorre da prioridade conferida por muitos países à redução de dependência de importações de combustíveis fósseis e à necessidade de reduzir o impacto ambiental de seus sistemas de transportes. Decorre também da evolução tecnológica das baterias e de seus sistemas de controle, que proporcionam maior autonomia e melhor desempenho do que os que eram alcançados pelos carros elétricos há apenas dez anos. Nos veículos elétricos, a elevada eficiência energética e redução de emissões são proporcionadas pelas seguintes características:
# O motor elétrico apresenta eficiências próximas a 85% e a bateria, em seus ciclos de carga e descarga, de cerca de 80%, enquanto a dos motores de combustão interna se situa próxima de 30% e a transmissão mecânica absorve cerca de 10% da energia do motor. Dada essa relação entre as eficiências dos veículos a bateria e aqueles acionados por motores de combustão interna, mesmo que a energia elétrica que alimenta a bateria seja gerada numa usina termelétrica, a energia primária utilizada será menor do que a da fonte do combustível utilizado, a menos que a usina seja particularmente ineficiente.
# Embora as emissões do veículo elétrico a bateria sejam nulas, a geração elétrica necessária para alimentar suas baterias pode implicar em emissões, caso sua fonte primária seja algum combustível. Mesmo assim, as emissões na usina termelétrica tendem a ser menores do que aquelas decorrentes da queima de combustível no veículo convencional, particularmente se este consumir derivados de petróleo, a menos que a usina seja bastante ineficiente e, sobretudo, se seu combustível for carvão.
# Todo veículo acionado por motor elétrico pode ter frenagem regenerativa, que recupera parte da energia inercial do veículo, armazenando-a na bateria, enquanto nos convencionais a frenagem apenas dissipa a energia inercial sob forma de calor. O reaproveitamento de parte da energia fornecida ao veículo é outro fator de aumento da sua eficiência.
# A energia elétrica destinada ao carregamento das baterias pode ser obtida a partir de qualquer fonte de energia primária, enquanto os motores de combustão interna exigem combustíveis líquidos ou gasosos, geralmente de natureza específica para que alcancem seu melhor desempenho.
# Carros a bateria só consomem energia para acelerar e para vencer rampas e resistências inerentes ao movimento, como a deformação dos pneus e a resistência do ar. Nada consomem quando param em trânsito congestionado enquanto carros convencionais, cujo motor permanece ligado, desperdiçam assim de 10% a 15% do combustível total consumido.
Os comentários seguintes indicam que diversas questões que têm sido colocadas refletem enfoques radicais na busca da sustentabilidade energética.
A questão mais relevante é associar, ou mesmo limitar o interesse no emprego de veículos elétricos à utilização de fontes primárias renováveis para gerar a energia elétrica que alimentará suas baterias. Trata-se aí de dois temas distintos que podem e devem ser tratados independentemente. Interessa reduzir a dependência de combustíveis fósseis e o impacto ambiental dos sistemas de transportes; também interessa manter elevada a participação das fontes primárias renováveis, tanto na matriz energética global quanto naquela do setor elétrico. Mas esse interesse é o mesmo, tanto para atender à demanda de geladeiras ou elevadores quanto para carregar baterias de carros elétricos.
Mesmo que não houvesse carros elétricos, haveria interesse em aumentar a utilização de fontes primárias renováveis e economicamente competitivas. E o emprego da tração elétrica, ou de qualquer equipamento mais eficiente do que o usual, reduz a demanda de fontes primárias e os impactos ambientais. Assim, mesmo que haja grande parcela de geração termelétrica, o aumento de consumo de energia elétrica para abastecer os carros elétricos normalmente causará aumento de uso de energia de combustíveis, nas usinas, inferior ao consumo dos carros convencionais que venham a ser substituídos.
Se a geração elétrica a partir de fontes renováveis fosse fundamental (embora seja desejável) para viabilizar os veículos elétricos, não haveria interesse nesses veículos, nem nos Estados Unidos nem na Europa ou na Ásia.
Restringir o emprego de carros elétricos à utilização de fontes renováveis para seu abastecimento prejudicará sua difusão, com efeito global contrário ao desejado.
Outro aspecto a considerar é que embora a avaliação do aumento da demanda de energia elétrica decorrente da difusão dos carros elétricos seja relevante, não faz sentido considerar a hipótese de todos os carros utilizados no país serem imediatamente substituídos por carros elétricos.
Tais análises, possivelmente destinadas a mostrar que os sistemas elétricos atuais não seriam capazes de atender à nova demanda, constituem hipótese tão ou mais absurda do que admitir que todos os rios dos quais dependem as usinas hidrelétricas brasileiras viessem a secar, de repente. É claro que nenhum sistema elétrico economicamente ajustado ao seu mercado poderia atender a um aumento súbito de demanda da ordem de 40%. Mas tampouco haveria a oferta de veículos que viessem a constituir tal demanda. Ao contrário, prevê-se que a penetração dos carros elétricos no mercado será relativamente lenta, ao longo da presente década. Além disso, a maioria dos carros em uso não seria descartada antes do fim de sua vida útil.
Uma preocupação de outra natureza daquelas comentadas acima, é a da substituição da dependência dos combustíveis fósseis pela do lítio, cujas jazidas economicamente exploráveis estão concentradas em poucos paises. Entretanto, diferentemente dos combustíveis, que são consumidos, o lítio das baterias deverá poder ser recuperado na reciclagem das baterias, o que remete ao problema tecnológico dessa operação; segundo, o lítio não é um elemento raro e novas técnicas de sua separação poderão ser desenvolvidas e, por fim, outras tecnologias de acumulação elétrica, inclusive de baterias e de supercapacitores, estão sendo desenvolvidas e poderão suplantar aquela baseada no lítio.
* Pietro Erber é diretor do Instituto Nacional de Eficiência Energética (INEE) e diretor-presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE)
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fevereiro 6th, 2012 at 11:04
Reportagem interessante pois normalmente quando se fala no assunto as pessoas colocam na frente coisas sem importancia como por exemplo que vai faltar energias quando sabemos que a noite jogamos fora as energias geradaas em excesso pela madrugada outra coisa os veiculos na cidade nao andam a mais de 20 km por hora e 80% das pessoas nao fazem mais de 100 km por dia.
tudo isso é conversa de quem nao quer pensar issome lembra a 15 anos atraz quando eu defendia o alcool os comentarios eram semprfe os mesmos que nao pegava de manha e os mecanicos com medo de ficar sem serviço porque o motor a alcool nao da problema.
OS CHINESES NAO PENSAM ASSIM E VAO COLOCAR MILHARES DE CARROS AQUI DENTRO E NOSSA INDUSTRA AUTOMOBILISTICA VAI SE DAR MALMl
fevereiro 6th, 2012 at 12:15
Penso que o que pode emperrar o uso dos veículos elétricos é a possibilidade do cliente não ser mais escravo do sistema (financeiro e político) na questão do abastecimento, produzindo sua própria energia através de moinhos eólicos, placas solares, entre outros. Os bilionários nunca estiveram preocupados com o meio ambiente e sim somente com suas ganancias; caso contrário os veículos elétricos já estariam no mercado a muitos anos e com tecnologias avançadíssimas.
fevereiro 7th, 2012 at 16:18
Parabéns Sr. Pietro Erber! Desmistificar é necessário quando o assunto é de interesse público e envolve interesses e políticas diversos.
fevereiro 7th, 2012 at 21:59
Concordo. Há muito tempo que estes carros estariam andando pelas ruas, se não fossem os poderosos das indústrias petrolíferas. Imagine então se cada um começasse a produzir energia em sua própria casa? Aí nem a energia poderia ser cobrada também…. Assim, o consumidor sempre sai em desvantagem.
fevereiro 8th, 2012 at 0:16
Meu caro Antonio Carlos, foi graças a esses bilionários que temos a tecnologia de hoje, principalmente a das baterias elétricas que movimentam os carros. Pesquisa custa MUITO dinheiro e leva décadas para chegar ao público. No Brasil, o carro elétrico não sairá das ideias se não houver subsidios do governo. Ruim? Não seria, se tivéssemos uma montadora exclusivamente nossa. De que adianta financiar montadoras cujos lucros irão para o exterior, e que faturam bilhões de dólares anualmente? Investimos pelo bem do planeta? Piada! E nossas demandas mais urgentes? Saneamento é uma delas. Imagine quanto metano o rio Pinheiros emite em São Paulo, por causa da poluição orgânica. Basta ver no final da tarde as bolhas explodindo no espelho d'água… E sentir o mal cheiro também.
Os bilionários ficaram ricos porque souberam investir no interesse do que a população quis consumir. Se agora o interesse da população é carro elétrico, os investimentos estão chegando. Se agora o interesse é energia eólica, eles estão investindo também. Se não houver o lucro, nada gira, nem o moinho de vento. Portanto os bilionários têm sua primeira preocupação de fazer dinheiro, mas é satisfazendo o desejo de consumo de toda a população. TV 3D, celular 3G, ipad, Book Air, ar condicionado. você consegue viver sem isso? Duvido. Quem lhe proporcionou isso foram os bilionários que tanto critica. Se a população tivesse manifestado o interesse verdadeiro no carro elétrico há trinta anos atrás, talvez ele fosse uma realidade hoje. Mas não acredito que naquela época tivessem conseguido êxito, porque simplesmente os sistemas computacionais que permitem cálculos e revisões em prazo curtíssimo ainda não existiam. Tudo era desenhado na prancheta. Os recursos financeiros necessários seriam astronômicos. Por isso sua observação está totalmente errada.
fevereiro 13th, 2012 at 3:17
A industria e o governo barram de todas as maneiras o lançamento de carros eletricos, não dão nenhum apoio, so falam nesta bosta de Petrobras, tomara que exploda este lixo de Petrolixo, temos tecnologia para carros eletricos e porque perdemos tempo com bostas a combustivel ainda ? O governa emperra a evolução desta industria pois é comprado pela Fiat, Chevrolet, Ford e outros lixos que fingem que estão fazendo pesquisas sobre esta tecnologia e no maximo lançam estas porcarias hibridas, mas que continuam dependentes do petroleo.
fevereiro 13th, 2012 at 12:34
Camarada, realmente não penso que você acredite no que escreveu! Afirmar que toda a tecnologia não existiria sem isso ai que vocês estão chamando de bilionários chega até a ofender! Essa pequena parcela da população, detentora do capital e dos meio físicos de produção material, só se preocupam mesmo é com a mais valia. Para eles pouco importa se esse valor virá de armas, materiais de construção, remédio ou veneno. Se hoje são bilionários, toda imensidão de riqueza que eles possuem nada mais é que o trabalho humano não pago por eles por gerações, ou você vai me dizer que eles acumularam tudo isso graças ao próprio suor? Não sei o que você está chamando de moinho de vento, mas estou imaginando algumas pás ligadas à um rotor, e aposto com todos que se houver vento e não houver lucro elas irão girar. De todas as tecnologias que você citou eu afirmo que consigo viver sem todas elas, e afirmar que quem proporcionou isso foram os bilionários isso sim é uma piada. Aliás, estou respondendo mas tenho plena convicção que você esta brincando, uma espécie de provocação. Leia Marx que você vai entender o modo de produção capitalista, talvez entenda que não precisamos de menhuma destas tecnologias citadas, apenas eles é que precisam da mais valia proporcionada por estas mercadorias. Falta muita teoria para você. Talvez você pudesse começar assitindo ao documentário "Quem matou o veículo elétrico", já vai abrir um pouco a sua mente sobre os detentores do poder.
abril 27th, 2012 at 0:28
Trecho de uma Reportagem da Greencarreports:
Mesmo que um Nissan Leaf 2012 fosse carregado exclusivamente de eletricidade produzida por centrais elétricas movidas a carvão, ainda assim o Leaf produziria 15% a menos de dióxido de carbono se comparado ao Nissan Versa 2012 a gasolina.
*Com a vantagem de afastar a poluição dos grandes centros, que é responsavel por milhares de mortes por ano.(Seis(6) Vezes mais que o transito)….
junho 29th, 2012 at 20:22
Muito lúcidas as suas colocações! Nossa contribuição é esta: http://www.youtube.com/watch?feature=endscreen&am… Abraços!
julho 11th, 2012 at 13:14
Bem dito amigo, e veja só o que a fábrica chines BYD(construa seu sonho) fez aqui no nosso quintal: vai construir uma fábrica de veículos elétricos na argentina. Veja que todo o material necessário para a industrialização dos veículos nós temos debaixo de nossos pés, falo de TERRAS RARAS, para confecção das baterias e motores especiais necessários para o projeto EV(VEÍCULO ELÉTRICO) , o fato dos investidores da petrobras é uma perda financeira muito significativa, eles se lascrão , a fábrica BYD ja vende veículos no outro lado de nosso continente CHILE poe exemplo, para se fazer um carro elétrico hoje cosnulte no google o que fez ELIFAS GURGEL, ele fez até a legislação para todo BRASILEIRO FAZER SEU PRÓPIO VEICULO ELETRICO.
novembro 24th, 2012 at 16:57
Sr. Pietro Erber e amigos. Gostaria de um comentario sobre o custo do carro elétrico, tenho dúvidas. O preço alto do veículo elétrico é somente pela bateria? O carro elétrico não tem escapamento, não tem tanque de gasolina, não tem sistema de refrigeração, não tem embreagem, não tem caixa de cambio, não tem todo o sistema de injeção (valas, cabos de vela, etc ), o motor é bem menos complexo, porque então o preço elevado? Pelos preços no mercado dos carros elétricos em relação aos a combustão as baterias devem custar uns R$ 80000,00, é isso?