Por Jean Marc Sasson - O réveillon carioca de 2012 foi intitulado pela prefeitura de Réveillon Verde em alusão ao evento que será realizado na cidade em junho, a Rio +20. À meia-noite a praia de Copacabana ficou verde para lembrar a floresta. Os temas naturais também foram lembrados como o sol (com cores em amarelo, vermelho e laranja para imitar o calor), água (com barulho de chuva, ondas do mar, muito azul e movimento de água),fauna e a flora (com flores e pássaros), vento (com barulho do vento e assobio) e por último, o otimismo (devido ao primeiro ano da década de ouro, com muito colorido e dourado). Os palcos dos shows promovidos também tiveram seus nomes ligados à natureza: Palco Sol e palco Água.
Para compensar o impacto ambiental causado pela festa, a Prefeitura do Rio de Janeiro pretende plantar cerca de 1.300 mudas de espécies da Mata Atlântica na bacia do Rio Guandu, em Miguel Pereira, que abastece os mananciais da água potável da capital, bem como reciclar todos as lonas utilizadas na festa. Esta compensação inclui até a queima de combustível e a emissão de gases da viagem de David Guetta, DJ britânico que tocou na festa.
Apesar do nome, infelizmente este não foi um réveillon verde. A começar pelos fogos. A cascata com coloração
verde foi totalmente equivocada. A substância necessária para dar a coloração é o nitrato de bário,
considerado o produto mais nocivo ao meio ambiente nas queimas de fogos.
Além disso, a produção de resíduos cresceu em relação ao ano passado. O réveillon carioca teve uma produção
de lixo de 645 toneladas, 6% a mais do que no réveillon passado. Somente Copacabana foi responsável por mais
que a metade da produção com 370 ton, 25% a mais do que no ano passado.
Considerando que o maior réveillon do mundo recebeu aproximadamente dois milhões de pessoas, concluo que cada
pessoa, em média, produziu 0,32 Kg em seis horas de festa. A boa notícia é que a média está dentro do padrão
brasileiro de produção de resíduos de 1 kg por dia. Contudo, a má é que se constata que a educação ambiental
brasileira ainda não existe.
Lixo no chão, na praia e no mar indica que na hora da comemoração o que vale é festejar, não importando aonde
será descartado a embalagem, seja ele garrafas de vidro de espumante, latinhas de refrigerante entre outras.
Essa atitude brasileira – é brasileira em razão da participação de outros estados na festa carioca – reflete
a postura em relação ao tema ambiental. 2011 foi o ano de desmoronamentos e enchentes pelo Brasil inteiro,
principalmente que matou mais de 900 pessoas na região serrana do Rio de Janeiro, a do início das obras de
Belo Monte, da aprovação no Senado e Câmara da alteração - para pior - do Código Florestal, das
intermináveis negociações das COP´s nas quais não se chega a um acordo sobre as mudanças climáticas, desastre
nuclear japonês, vazamento de óleo na Bacia de Campos, de desmatamentos na região amazônica, mortes de
ambientalistas por grileiros, de queimadas, entre outros eventos que demonstram a despreocupação com o rumo
de nosso Planeta.
Acredito que estes acontecimentos potencializaram a expectativa que cerca 2012. Será o ano da aprovação do
novo Código Florestal, do maior evento de sustentabilidade Rio +20, preparação para a Copa e Olimpíadas,
destinação da bolsa verde para 18 mil famílias no valor de R$ 300,00, é o ano internacional da energia
renovável segundo a ONU, início do mapeamento da Mata Atlântica a ser realizado pelo estado do Rio de
Janeiro, do início da prática da Política Nacional de resíduos Sólidos, do aumento de investimentos em
energias renováveis mundiais etc.
Percebo mudanças. Mas a verdade é que não há muito que festejar. As mudanças são lentas. O planeta não
espera. Se não mudarmos radicalmente nossas atitudes em relação ao nosso consumo e emissões, acabaremos
extintos de nossa própria casa.
Para que seja realmente um ano novo, devemos realizar coisas novas, mudar as velhas rotinas e costumes. Que
2012 seja um ano da virada.
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