• Rodrigo De Filippo

    Discordo da opinião do pesquisador: "De um lado temos a omissão de algumas concessionárias de energia e, de outro, a falta de conscientização dos produtores”.
    Infelizmente alguns pesquisadores não se preocupam em analisar o contexto histórico dos fatos. Três Irmãos entrou em operação em uma época em que as empresas não compravam além da cota de inundação. Comprar mais que isso seria ilegal, porque a concessionária era uma estatal, a CESP. A lei ambiental tampouco colaborava, pois ninguém tinha a responsabilidade de recompor a vegetação marginal. Se um fazendeiro comprasse uma área já devastada, não seria dele a obrigação de recuperá-la.
    As empresas hoje são obrigadas a comprar a faixa de APP, e a recuperá-las, mas aí eu concordo que muitas fazem vista grossa. Aliás, em alguns reservatórios antigos, até mesmo clubes de associações de funcionários ligados ao Poder Judiciário estão instalados em áreas de APP.
    A legislação atual é contraditória. A Política de Recursos Hídricos fala de usos múltiplos dos reservatórios, mas as resoluções do CONAMA restringem cada vez mais o acesso às margens e sua ocupação. Como promover os usos múltiplos utilizando apenas 10% do perímetro de um reservatório?
    Para conservar a cobertura vegetal a concessionária precisaria cerca todo o seu contorno. Imaginem o problema social que isso provocaria, principalmente considerando que alguns reclamam faixas de 500 metros de proteção para reservatórios. As leis brasileiras são escritas sem discussão racional, por isso não são cumpridas.

  • Sérgio Zuculin

    Afirmar que a variação na produção da usina, decorre do assoareamento no reservatório, é uma conclusão questionável. A usina é despachada pelo ONS, e a otimização sistêmica é que determina se vai gerar mais ou menos. A Usina tem 807,5 MW instalados. São cinco unidades geradoras de 161,5 MW. A diferença na geração de 377 MWh por mês (sic) representa 0,5 MWmédio (isso mesmo: Meio MW médio = 377 MWh / 720 horas = 0,02% da capacidade da usina!!!). Qualquer decisão operativa causa variações muito, muito, muito maiores que isso.

  • Ednardo Souza Melo

    A tese apresentada pelo pesquisador é mais uma amostra da constante demonização da geração hidráulica.
    Como bem argumentaram os srs. Zucolin e de Filippo, o assoreamento em reservatórios é , quando muito, um fenômeno marginal na diminuição da capacidade de geração em hidroelétricas.
    Infelizmente teses e pesquisas são realizadas a partir de um pressuposto e outros fatores são parcial ou inteiramente esquecidos.Durante toda a construção de Itaipu, onde tive a honra de trabalhar, ouvíamos toda sorte de críticas, e o assoreamento era uma das mais frequentes.Especialistas estrangeiros citavam casos de grandes aproveitamentos onde o assoreamento era crítico e vaticinavam que o mesmo ocorreria em Itaipu a curto prazo.Não só não ocorreu como hoje já se diz que o Planejamento Ambiental lá aplicado servirá de modelo para outros empreendimentos no Brasil.
    Maior dose de rigor técnico faz mal algum a trabalhos científicos.
    Ednardo Souza Melo