Por Gustavo Dalla Vecchia*, Colunista Ambiente Energia - Em 1859, Charles Darwin publicou seu livro conhecido como “A Origem das Espécies”. Pela sua teoria evolucionista, as condições ambientais determinam o quanto uma característica ajuda na sobrevivência e na reprodução de um ser vivo. Segundo a teoria de Darwin, não é o maior ou mais forte que sobrevive, mas sim aquele que mais facilmente se adapta às mudanças do seu ambiente.
No mundo dos negócios não é diferente. Quantas gigantes já tombaram, quantas empresas lucrativas foram à falência, quantas empresas que ninguém acreditava que fosse possível sequer sair do papel, são, agora, potências do século XXI?. A resposta para a pergunta – “como eles conseguiram?” – está justamente na capacidade da empresa se adaptar às mudanças, ou já nascer adaptada à nova realidade.
E qual será a nova realidade deste século? Não é internet. Não é tecnologia. É sustentabilidade. Ser ”verde” não é modismo. É necessidade. Desde o lançamento do filme “Uma verdade inconveniente”, dirigido por Davis Guggenheim e apresentado pelo ambientalista e ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, o aquecimento global e suas consequências são retratados de forma realista. A verdade é que está cada vez mais evidente que há algo de errado acontecendo em nosso planeta: fenômenos que antes ocorriam ao longo de eras geológicas, agora se sucedem no decorrer de uma geração.
Como o seu negócio contribui ou atenua estes efeitos? Se você é uma indústria, com certeza terá que rever seus processos produtivos e matérias primas utilizadas, além de tratar os resíduos e descartes e as descargas de poluentes na atmosfera. Se o seu negócio é varejo, o uso de sacolas plásticas está praticamente condenado. Além de serem produzidas por derivados de petróleo, demoram mais de um século para se decomporem na natureza e podem poluir os oceanos e lagos, e gerar a morte dos animais que vivem nesses habitats.
Se você é um distribuidor, você recicla filmes plásticos e papelão, resultantes do manuseio das mercadorias? Seus produtos em estoque são comprados de indústrias ecologicamente corretas? E se você é um prestador de serviços, qual o seu diferencial sustentável?
Se o seu negócio não permite atuar de forma direta nos efeitos destes fenômenos, como você pode destinar parte de sua verba, resultante do seu lucro, para atuar diretamente nas causas, por meio de parcerias com ONGs especializadas no assunto?
Respondidas algumas destas questões, podemos nos perguntar: seu faturamento é 100% ”verde”? Como seu cliente enxerga sua empresa e sua marca em relação à sustentabilidade? O quanto isto pode afetar ou não as suas vendas? A resposta para este tema, ainda hoje, é de relação dependente. Porque nem todos estão conscientes destes problemas, seja por falta de informação ou por puro desinteresse.
Para o público crescente, cada vez mais preocupado e consciente do seu papel e do papel que sua empresa tem de assumir no processo de sustentabilidade, com certeza começará a fazer a diferença. Consumidores irão comprar produtos sustentáveis. Empresas darão preferência por fazer negócios com empresas que tenham atitudes sustentáveis. Portanto, se o seu negócio não se adaptar a essa nova realidade, com certeza o seu concorrente o fará. E o resultado você já sabe: queda na credibilidade do seu negócio e, consequentemente, nas suas vendas. Não exisitirá super equipe de vendas capaz de contornar esta situação, no médio prazo. Pense nisso e boas vendas!
* Gustavo Dalla Vecchia é presidente da Factura Soluções Comerciais. É formado em Administração de Empresas pelo Instituto Mauá de Tecnologia, com especialização em Marketing pela ESPM e em Gestão de Negócios pela FGV-EAESP
Tags: AE Negócios, Sustentabilidade





abril 25th, 2011 at 16:13
Concordo com voce, digo mais segundo Platão somente quem possui este diferencial pertence a esfera de ouro ou dos políticos. Quanto a Darwin penso que o ser humano enquanto racional está em extinção também, pois não consegue e nem tem se esforçado a se adequar a nova condição. Infelizmente é necessário associar o financeiro e economico, a fim de que racionalmente se pre-disponha a modificar quadros ambientais e sociais, que já deveriam estar inseridos no ser humano.
abril 28th, 2011 at 15:57
Pena que há empresas que nem sequer sabem que esta nova "era" chegou, e agem como verdadeiros dinossauros, mantendo as práticas do passado. Quando se derem conta poderá ser tarde.
Nós consumidores e funcionários de empresas, temos que fazer a nossa parte pensando nas gerações que virão. Aqui na empresa em que trabalho adoto o mesmo comportamento que tenho em casa. Reduzi o meu lixo, evito as impressões em papel, não exagero no consumo da água, desligo as luzes do banheiro. Acho que é minha contribuição com o planeta e com a empresa.